Quando criança, nossos melhores amigos eram aqueles que pedalavam conosco em nossas ruas e faziam-nos rir. Escola era mais uma diversão em nossas vidas; vivíamos ansiosamente pela chegada da sexta-feira, na qual acontecia o dia do brinquedo. Feriado era um dia a mais para brincar na rua com nossos amigos. A beleza de cada um era medida através de seus lápis de cor, quanto mais cores, mais bonito o era. Natal e Páscoa eram sinônimos de presente, e só. Dia das crianças era o momento em que nos sentíamos donos do mundo, existia um dia só para nós.
Hoje, temos saudade do dia em que fomos crianças, nossas lembranças enchem nossos olhos de lágrimas, mostrando o quão felizes éramos, e não fomos capazes de perceber enquanto havia tempo.
Nossas prioridades e responsabilidades são outras, bem mais complexas que as passadas.
Nosso pensamento está cheio de pontos de interrogação, curioso para desvendar cada sorriso que recebemos, e como é sorrir por amor.
Nossos olhos brilham em meio à multidão, a procura de respostas para todas as perguntas que nos fazem prisioneiros do mundo.
Não sabemos quem são nossos amigos de verdade, recém estamos conhecendo o mundo e a sociedade com outro olhar; nossos pés estão longe do chão, e nossas asas fazem com que voemos para outro mundo a todo instante.
Não somos palavras, muito menos poemas; somos humanos a procura de respostas sobre o que vemos e o que sentimos.
Temos tamanha ansiedade por tais respostas, mesmo sabendo que quando as encontrarmos teremos outras ainda mais difíceis a serem respondidas, e seremos desafiados por nossos sentimentos uma vez mais.
E quando formos adultos, teremos saudade desse tempo em que tanto resmungamos e tanto desejamos a vida alheia, que esqueceremos o quão foi difícil viver essa mudança, através dos olhos de nossos novos problemas.